SER PROFESSOR…
outubro 16, 2010
SOU PROFESSORA…
Ser professor
é professar a fé
e a certeza de que tudo
terá valido a pena
se o aluno sentir-se feliz
pelo que aprendeu com você
e pelo que ele lhe ensinou…
Ser professor é consumir horas e horas
pensando em cada detalhe daquela aula que,
mesmo ocorrendo todos os dias,
a cada dia é única e original…
Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e,
diante da reação da turma,
transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender…
Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado.
Ser professor é ter a capacidade de “sair de cena, sem sair do espetáculo”.
Ser professor é apontar caminhos,
mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés…
[fonte: http://mensagensepoemas.uol.com.br/professores/ser-professor-e-3.html#ixzz12RM8xSrq]
Elegia a Angelita!
maio 26, 2009
Elegia a Minha Mãe!
Há cinquenta e cinco anos atrás nascia um anjo. Hoje, esse anjo está nO Último Andar, como o poema da Cecília Meireles:
No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua, no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem,
para ninguém os maltratar:
no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar.
no último andar.
É lá no último andar que minha mãezinha mora, meu anjinho de todas as horas e “de lá, ela avista o mundo inteiro”. Tive todas as oportunidades para fazer-lhe homenagens e as fiz. Disso nunca irei me arrepender, pois todas as que ela mereceu ela teve. Não foram somente homenagens; foram presentes, ações, carinhos, café na cama, ligações para falar apenas um “oi”, musiquinhas, um cheiro, um abraço, um almoço às segundas-feiras, uma ida às compras, um jogo de boliche, um sorvete no domingo à tarde, uma rosa arrancada do jardim da vizinha ou um bouquet preparado especialmente pra ela, todas as cartas que escrevi, que me manifestei com a escrita quando me faltou a fala. Nunca achei essas cartas e sei que foram guardadas, mas onde?
Ah! Angel…
Como eu sinto sua falta. Todos os dias da minha vida. Quando chego em casa e não te vejo. Quando saio de casa sem o seu beijo. Tenho certeza que ainda iremos nos encontrar, pois nossa história ainda não acabou. Acredito em alma gêmea e sei que você foi a minha em sua maravilhosa vida e é por isso que sei e sinto que ainda vamos nos encontrar um dia. Por isso que me recusei a me despedir de você, prefiro pensar que disse um “até logo” e ficar por aqui de passagem e ter fé e esperar pelo nosso reencontro.
A cada dia sinto orgulho do que sou e do que você me ensinou a ser. Te amo mãe, Te amo meu anjinho. Achei que demoraria para fazer essa homenagem.
A primeira vez que “tentei” ler esse poema, não consegui. Chorei. Nunca o li por inteiro sem ter chorado e hoje trago essa Elegia para você, minha mãe, meu anjo até no nome.
A você, Angelita…O Captain! My Captain!
Elegia (1933-1937)
1
Minha primeira lágrima dentro dos teus olhos.
Tive medo de as enxugar: para não saberes que havia caído.
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.
Exalava-se de ti o mesmo frio do orvalho;
a mesma claridade da lua.
Vi aquele dia levantar-se inutilmente para as tuas pálpebras,
e a voz dos pássaros e das águas de correr,
- sem que a recolhessem teus ouvidos inertes.
Onde ficou teu corpo? Na parede? Nos móveis? No teto?
Inclinei-me sobre teu rosto, absoluta, como um espelho.
E tristemente te procurava.
Mas também isso foi inútil, como tudo mais.
2
Neste mês, as cigarras cantam
e os trovões caminham por cima terra,
agarrados ao sol.
Neste mês, ao cair da tarde, a chuva corre pelas montanhas,
e depois a noite é mais clara,
e o canto dos grilos faz palpitar o cheiro molhado do chão.
Mas tudo inútil,
porque os teus ouvidos estão como conchas vazias,
e a tua narina imóvel
não recebe mais notícia
do mundo que circula no vento.
Neste mês, sobre as frutas maduras cai o beijo áspero das vespas…
- e o arrulho dos pássaros encrespa a sombra,
com água que borbulha.
Neste mês, abrem-se cravos de perfume profundo e obscuro;
a areia queima, branca e seca,
junto ao mar lampejante:
de cada fronte desce uma lágrima de calor.
Mas tudo é inútil,
porque estás encostada à terra fresca,
e os teus olhos não buscam mais lugares
nesta paisagem luminosa,
e as tuas mãos não se arredondam já
para a colheita nem para a carícia.
Neste mês, começa o ano, de novo,
e eu queria abraçar-te.
Mas tudo é inútil:
eu e tu sabemos que é inútil que o ano comece.
3
Minha tristeza é não poder mostrar-te as nuvens brancas,
e as flores novas, como aroma em brasa,
com suas coroas crepitantes de abelhas.
Teus olhos sorririam,
agradecendo à Deus o céu a terra:
eu sentiria teu coração feliz
como um campo onde choveu.
Minha tristeza é não poder acompanhar contigo
o desenho das pombas voantes,
o destino dos trens pelas montanhas
e o brilho tênue de cada estrela
brotando à margem do crepúsculo.
Tomarias o luar nas tuas mãos,
fortes e simples como as pedras,
e dirias apenas: “Como vem tão clarinho!”
E nesse luar das tuas mãos se banharia a minha vida,
sem perturbar sua claridade,
mas também sem diminuir minha tristeza.
4
Escuto a chuva batendo nas folhas, pingo a pingo.
Mas há um caminho de sol entre as nuvens escuras.
E as cigarras sobre as resinas continuam cantando.
Tu percorrerias o céu com teus olhos nevoentos,
e calcularias o sol de amanhã,
e a sorte oculta e cada planta.
E amanhã descerias toda coberta de branco
brilharias à luz como o sal e a cânfora,
mirarias os cravos, contentes com a chuva noturna,
tomarias na mão os frutos do lemoeiro, tão verdes,
e o veludo da vinha, verias armar-se o cristal dos bagos.
E olharias o sol subindo ao céu com asas de fogo.
Tuas mãos e terra secariam bruscamente.
Em teu rosto, como no chão,
haveria flores vermelhas abertas.
Dentro do teu, porém, estavam a fontes frescas, sussurando.
E os canteiross viam-te passar
como nuvem mais branca do dia.
5
Um jardineiro desconhecido se ocupará da simetria
desse pequeno mundo em que estás.
Suas mãos vivas caminharão acima das tuas, em descanso,
das tuas que calculavam primaveras e outonos,
fechadas em sementes e escondidos na flor!
Tua voz sem corpo estará comandando,
entre terra e água,
o aconchego das raízes tenras,
a ordenação das pétalas nascentes.
A margem dessa pedra que te cerca,
o rosto das flores inclinará sua narrativa:
história dos grandes luares,
crescimento e morte dos campos,
giros e músicas de pássaros,
arabescos de libélulas roxas e verdes.
Conversareis longamente,
em vossa linguagem inviolável.
Os anjos de mármores ficarão para sempre ouvindo:
que eles também falam em silêncio.
Mas a mim – se te chamar, se chorar – não me ouvirás,
por mais perto que venha, não sou mais que uma sombra
caminhando em redor de uma fortaleza.
Queria deixar-te aqui as imagens do mundo que amaste:
o mar com seus peixes e suas barcas;
os pomares com cestos derramados de frutos;
os jardins de malva e trevo, com seus perfumes brancos e vermelhos.
E aquela estrela maior, que a noite levava na mão direita.
E o sorriso de uma alegria que eu não tive, mas te dava.
6
Tudo cabe aqui dentro:
vejo tua casa, tuas quintas de fruta,
as mulas deixando descarregarem seirões repletos,
e os cães de nomes antigos
ladrando majestosamente
para a noite aproximada.
Range a atafona sobre uma cantiga arcaica:
e os fusos ainda vão enrolando o fio
para a camisa, para a toalha, para o lençol.
Nesse fio vai o campo onde o vento saltou.
Vai o campo onde a noite deixou seu sono orvalhado.
Vai o sol com suas vestimentas de ouro
cavalgando esse imenso gavião do céu.
Tudo cabe aqui dentro:
teu corpo era um espelho pensante no universo.
E olhavas para essa imagem, clarividente e comovida.
Foi do barco das flores, o teu rosto terreno,
e uns liquens de noite sem luzes
se enrolaram em tua cabeça de deusa rústica.
Mas puseram-te numa praia de onde os barcos saíam
para perderem-se.
Então, teus braços se abriram,
querendo levar-te mais longe:
porque eras a que salvava.
E ficaste com um pouco de asas.
Teus olhos, porém, mediram a flutuação do caminho.
Por isso, tua testa se virou de alto a baixo,
e tuas pálpebras meigas
se cobriram de cinza.
7
O crepúsculo é este sossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.
E esta curva de pombos, rente aos telhados,
este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas, ainda sem luz.
Mas não era só isso o crepúsculo:
faltam os teus dois braços numa janela, sobre flores,
e em tuas mãos o teu rosto,
aprendendo com as nuvens a sorte das transformações.
Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos,
tua boca, onde a passagem da vida
tinha deixado uma doçura triste,
que dispensava palavras.
Ah, falta o silêncio que estava entre nós,
e olhava a tarde, também.
Nele vivia o teu amor por mim,
obrigatório e secreto.
Igual à face da Natureza:
evidente e sem definição.
Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.
Sentindo-o cobria minhas lágrimas com um riso doido.
Agora, tenho medo que não visses
o que havia por detrás dele.
Aqui está meu rosto verdadeiro,
defronte do crepúsculo que não alcançaste.
Abre o túmulo, e olha-me:
dize-me qual de nós morreu mais.
8
Hoje! Hoje de sol e bruma,
com este silencioso calor sobre as pedras e as folhas!
Gravemente. Altamente.
Com flores abafadas pelo caminho,
entre essas máscaras de bronze e mármore
no eterno rosto da terra.
no brotar e morrer desta última primavera
O Captain! My Captain!
maio 20, 2009
O Captain! My Captain!
(Walt Whitman in Leaves of Grass)
O Captain! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather’d[1] every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring.
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red!
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up! For you the flag is flung, for you the bugle trills:
For you bouquets and ribboned wreaths, for you the shores a-crowding[2].
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning.
O Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d[3] safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip the victor ship comes in with object won!
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
[1] weather’d = weathered
[2] a-crowding = “are crowding”
[3] anchor’d = anchored