TRADUÇÃO COMENTADA DO POEMA O CAPTAIN! MY CAPTAIN! DE WALT WHITMAN EM LEAVES OF GRASS

Autora: Katia Regiane Gonçalves dos SANTOS

Trabalho apresentado na XI Mini-ENAPOL de Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, Toponímia e Tradução – Tratamentos do Léxico: Diversidade Cultural, A Multiconceptualização do Mundo – 2008 – FFLCH – USP

Orientador: Francis Henrik Aubert

O presente trabalho é uma tradução poética do poema de Walt Whitman chamado O Captain! My Captain! que foi publicado no livro Leaves of Grass, de 1867, sua obra mais importante e de reconhecimento internacional. Este poema foi escrito em 1865 após o assassinato do presidente Abraham Lincoln, e posteriormente publicado em Leaves of Grass, no qual o autor expressa toda sua admiração por seu presidente em que relata a dor da perda de uma pessoa tão importante, o presidente dOs Estados Unidos da América. O objetivo do trabalho foi apresentar uma tradução de ordem poética que foi comentada, justificada e fundamentada de acordo com teorias segundo Vinay & Darbelnet (1958), Francis Henrik Aubert, Mário Laranjeira (1989 e 1990) e de acordo com explicações em aula na disciplina Lingüística e Tradução: A tradução como subsídio para os estudos lingüísticos contrastivos de Aubert do programa de Mestrado em Lingüística Geral (especialidade Tradução); especialmente neste trabalho a tradução foi escrita de forma a não criar um outro poema, pois o principal sentido do poema foi preservado. A fundamentação da presente tradução foi feita por meio de uma abordagem segundo modelo de Vinay e Darbelnet (1958), mas não há como negar que a tradução em questão é uma tradução poética, o que pode haver um alto risco lingüístico-literário para um tradutor-não-poeta. Ao falar a respeito de tradução de poesia é fazer aparecer e reaparecer as discussões sobre tradução poética, pois alguns lingüistas defendem o intraduzível, ou seja, não traduzir poesia. A busca da equivalência na tradução foi o objetivo maior no trabalho para se manter o mais fiel possível ao poema Walt Whitman. Houve uma procura por não desviar lingüisticamente para não mudar a semântica do poema. Mesmo buscando a equivalência, a identidade do poema foi mantida, pois a identidade do poema é o mais importante para o autor e o tradutor que, de certa forma, virou o co-autor do poema traduzido. Walt Whitman já foi citado em filme como o Sociedade dos Poetas Mortos de 1989 (Dead Poets Society) por sua excelência e pela busca do novo. O ato tradutório para tradução de poesia segue uma linha para se manter a significância no texto de chegada e trabalhar no sentido de construir algo semelhante, na tradução do poema do presente trabalho houve uma preocupação a respeito da interpretação e compreensão do poema, porque sua interpretação depende, também, de uma visão subjetiva, pois Michael Riffaterre (1978) afirma que “Um poema diz uma coisa e significa outra” e Mário Laranjeira (1989) diz que essa maneira oblíqua que tem o texto poético de gerar o seu próprio sentido é a grande responsável pela diferença entre poesia e não-poesia. A análise da tradução feita mostra que grande parte da tradução é literal porque o principal objetivo da presente tradução foi se manter o mais próximo possível do original para salvar a essência do poema de Walt Whitman. A ousadia por traduzir Whitman mesmo não sendo poeta observou-se que esse distanciamento (não ser poeta) colaborou para que se conseguisse manter uma tradução literal na maior parte do poema, pois Mário Laranjeira (1990) diz que há uma complexidade poética que intimida o tradutor, que dela se afasta, temeroso de não estar à altura de tal empreendimento e de certo houve esse temor de minha parte ao ousar em traduzir um poema que, a meu ver, é de grande importância para a literatura mundial.

Palavras-chaves: Tradução Poética, Walt Whitman, Modalidades de Tradução, Identidade, Poesia

A TRADUÇÃO:

1ª versão

O Capitão! Meu Capitão!

O Capitão! Meu Capitão! Nossa temida viagem está acabada;
O navio superou toda sua dificuldade, a recompensa que nós buscávamos já foi alcançada;
O porto está perto, os sinos que eu ouço, o povo todo exultante,
Enquanto seguem os olhos um rumo seguro, o barco austero e desafiante.

Mas O coração! Coração! Coração!
Ó de vermelho derrama seu sangue!
Onde no deck meu capitão repousa,
Sucumbido inexpressivo e morto.

O Capitão! Meu Capitão! Levante-se e ouça os sinos;
Levante-se! Por você a bandeira está lançada, por você a trompa gorjeia:
Em seu nome buquês e formosas coroas, por você as praias estão se
glomerando:
Por você elas chamam, a influente multidão, suas faces ansiosas transformando-se.

O Capitão! Querido pai!
Este exército é indigno de sua liderança;
É algum sonho que está a bordo,
Você sucumbido inexpressivo e morto.

Meu Capitão não responde, seus lábios estão pálidos e calmos;
Meu pai não sente meu braço, ele não tem pulso nem vontade;
O navio está ancorado seguro e sonoro, seu caminho concluído e acabado;
Da temida viagem o navio vitorioso adentra com seu objetivo alcançado!

Alegrem-se Ó praias e toca Ó sinos!
Mas, eu ando aos prantos,
Segue o navio meu Capitão repousa,
Sucumbido inexpressivo e morto.
(Autoria: Katia Regiane Gonçalves dos Santos)

Informações:

http://www.fflch.usp.br/dl/minienapol_lex
www.fflch.usp.br/dl/minienapol_lex/downloads/4m1.pps

Trabalho completo via e-mail: teacherkatiaregiane@gmail.com

 

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